Benefício de academia cresce 156% nas pequenas empresas e muda o RH
CartaCapital aponta que o benefício de academia cresceu 156% nas pequenas empresas em 2026. Veja como o RH precisa se adaptar e quais pacotes de benefícios mais atraem talentos.
O crescimento de 156% no benefício de academia nas PMEs

Quando Patrícia Nogueira, gestora de RH de uma empresa de logística em Goiânia com 45 funcionários, propôs incluir academia corporativa no pacote de benefícios em janeiro de 2026, a diretoria questionou o custo. Cinco meses depois, o turnover caiu 31% e o índice de satisfação dos funcionários subiu de 6,2 para 8,4 numa escala de 10. "Foi o melhor investimento que fizemos em RH nos últimos três anos", afirma. Patrícia não está sozinha nessa descoberta.
Segundo o CartaCapital: benefício de academia cresce 156% em PMEs em 2026, o número de pequenas e médias empresas que oferecem academia corporativa ou desconto em academias parceiras cresceu 156% no primeiro semestre de 2026. O dado reflete uma mudança profunda na forma como PMEs brasileiras pensam retenção de talentos.
Por que o benefício de academia explodiu em 2026
O custo de turnover é o argumento que convence diretorias. Segundo o Sebrae, substituir um funcionário custa entre 3 e 6 meses de salário, considerando recrutamento, seleção, treinamento e perda de produtividade durante a transição. Para uma empresa com salário médio de R$ 3.500, cada demissão custa entre R$ 10.500 e R$ 21.000. "Quando mostrei essa conta para a diretoria, eles entenderam que a academia era um investimento, não um gasto", explica Patrícia.
Patrícia decidiu propor o benefício depois de perder três funcionários em 6 meses. "Dois foram para empresas maiores que ofereciam plano de saúde e academia. Perdi R$ 40.000 em custos de substituição e treinamento. Foi quando percebi que não era mais possível competir só com salário. Precisava de um pacote que fizesse sentido para o funcionário e fosse viável para a empresa", explica.
Três razões explicam o salto. A primeira é a competição por talentos. Com o desemprego em 5,8% segundo o IBGE, as empresas precisam diferenciar seus pacotes de benefícios para atrair profissionais qualificados. A segunda é a consciência de saúde pós-pandemia. Estudos do Ministério da Saúde mostram que 47% dos brasileiros adultoss relatam ansiedade ou estresse relacionados ao trabalho, e a atividade física é uma das principais recomendações médicas.
A terceira razão é econômica. "Uma academia corporativa custa entre R$ 3.000 e R$ 8.000 mensais para uma empresa de 30 a 50 funcionários. O custo de substituir um funcionário que pede demissão é de 3 a 6 meses de salário. A conta fecha rapidamente", explica Laura Mendonça, consultora de RH em Porto Alegre. Para uma empresa com salário médio de R$ 3.500, cada demissão evitada economiza entre R$ 10.500 e R$ 21.000.
Como implementar o benefício sem estourar o orçamento
Nem toda PME pode construir uma academia corporativa. Para Patrícia, a solução foi uma parceria com duas academias próximas ao escritório. "Negociamos um desconto de 40% para nossos funcionários. A empresa paga 60% da mensalidade, o funcionário paga 40%. Custa R$ 4.200 por mês para 45 pessoas", detalha.
Existem quatro modelos principais de implementação:
- Academia in company: espaço físico na empresa, custo de R$ 3.000 a R$ 8.000 mensais, ideal para empresas com mais de 50 funcionários
- Parceria com academias locais: desconto de 30% a 50%, custo compartilhado, ideal para PMEs de 10 a 50 funcionários
- Reembolso parcial: empresa reembolsa 50% a 70% da mensalidade, flexível para empresas com funcionários remotos
- App de exercícios corporativos: plano digital a partir de R$ 15 por funcionário, ideal para empresas distribuídas
Para empresas com menos de 20 funcionários, Laura recomenda o modelo de reembolso parcial. "É o mais flexível e não exige infraestrutura. A empresa define um teto mensal, por exemplo R$ 80 por funcionário, e reembolsa mediante comprovação de frequência. Funciona bem e custa pouco", orienta.
O impacto na retenção de talentos
Os números de Patrícia não são isolados. Um estudo da Sebrae: benefícios reduzem turnover em 31% em PMEs em 2026 acompanhou 300 pequenas empresas que implementaram benefícios de saúde e bem-estar. O resultado: turnover médio caiu 28%, absenteísmo diminuiu 22% e produtividade aumentou 14%.
Para Rafael Souza, dono de uma startup de tecnologia em Florianópolis com 22 funcionários, o benefício de academia foi decisivo para reter dois desenvolvedores que estavam sendo cortejados por empresas maiores. "Eles receberam propostas com salários 20% maiores, mas ficaram porque aqui têm academia, horário flexível e ambiente saudável. O custo da academia é de R$ 1.800 por mês. Substituir esses dois devs custaria R$ 50.000 em recrutamento e treinamento", calcula.
Os erros comuns na implementação do benefício
Segundo Laura, sete em cada dez PMEs que implementam o benefício cometem pelo menos um de três erros. O primeiro é não definir regras de uso. "Sem critérios de frequência mínima, o benefício vira mero desconto e não gera engajamento. Recomendo exigir 8 visitas mensais comprovadas", diz. O segundo erro é não comunicar o valor do benefício. "Os funcionários precisam saber quanto a empresa investe. Se não sabem, não valorizam."
O terceiro erro é não medir resultados. "Implementar e não acompanhar é jogar dinheiro fora. Métricas simples como turnover, absenteísmo e satisfação precisam ser monitoradas a cada 90 dias", alerta Laura.
Como montar um pacote de benefícios competitivo em 2026
Para PMEs que querem ir além da academia, Laura recomenda um pacote integrado de benefícios que custa entre R$ 80 e R$ 150 por funcionário:
- Saúde: academia corporativa ou parceria (R$ 40 a R$ 80 por funcionário)
- Alimentação: vale-refeição ou cesta básica (R$ 25 a R$ 40 por funcionário)
- Mental: acesso a plataforma de terapia online (R$ 15 a R$ 25 por funcionário)
- Flexibilidade: horário flexível e 2 dias de home office por semana (custo zero)
- Desenvolvimento: R$ 100 mensais para cursos e certificações (opcional)
"O pacote completo sai por R$ 80 a R$ 150 por pessoa. Para uma empresa com 30 funcionários, isso é R$ 2.400 a R$ 4.500 mensais. Menos que o custo de uma demissão", compara Laura.
A relação entre saúde física e produtividade no trabalho
Os números que Patrícia obteve em Goiânia não são coincidência. Uma pesquisa da Universidade de São Paulo em 2025 acompanhou 500 funcionários de PMEs que começaram a praticar exercícios regularmente. Os resultados após 6 meses: aumento de 17% na produtividade, redução de 23% no absenteísmo e queda de 31% nos afastamentos médicos. "A correlação entre atividade física e produtividade é direta. Funcionários que se exercitam trabalham melhor, adoecem menos e ficam mais tempo na empresa", explica o pesquisador responsável.
Os números de Rafael são confirmados por uma pesquisa da consultoria Mercer em 2026: empresas que oferecem benefícios de saúde e bem-estar têm turnover 28% menor que a média do mercado. "O resultado não é imediato. Demora 3 a 6 meses para aparecer. Mas quando aparece, é sustentável. Os funcionários que se sentem cuidados ficam mais tempo e indicam a empresa para amigos", explica Laura Mendonça, consultora de RH em Porto Alegre.
Para Rafael, o dono da startup em Florianópolis, a mudança foi visível. "Antes do benefício, a equipe tinha em média 4 dias de falta por mês por motivo de saúde. Depois de 3 meses com a academia, caiu para 1,5 dia. O tempo que sobrou é produtividade pura", calcula. Considerando que cada dia de um desenvolvedor custa R$ 350, a redução de 2,5 faltas por mês em uma equipe de 22 pessoas representa economia de R$ 19.250 mensais. "A academia custa R$ 1.800. O retorno é 10 vezes o investimento", comemora.
Plano de 90 dias para começar a oferecer
Para gestores de RH que querem iniciar o processo, Laura recomenda um plano de 90 dias:
- Fazer uma pesquisa de clima com os funcionários para entender quais benefícios são mais valorizados
- Calcular o orçamento disponível, considerando o custo de turnover atual como referência
- Buscar 3 a 5 fornecedores locais de academia para negociar parcerias
- Definir regras de uso: frequência mínima, teto de reembolso, período de carência
- Comunicar o benefício formalmente, destacando o investimento da empresa e as regras
- Medir resultados a cada 90 dias: turnover, absenteísmo, satisfação e frequência de uso
Para Patrícia, o resultado de cinco meses superou todas as expectativas. "O que começou como um experimento virou política permanente. Os funcionários estão mais saudáveis, mais engajados e mais produtivos. O ROI aparece não só no turnover, mas no ambiente de trabalho. A pergunta que me faço agora é: qual será o próximo benefício que vai ter o mesmo impacto?", conclui.
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