Copa do Mundo 2026: setores que lucram e setores que perdem com o evento
Copa do Mundo 2026 movimenta bilhões de reais na economia brasileira. Analisamos quais setores lucram mais e quais empreendedores devem se preparar para a alta de demanda.
O impacto econômico da Copa do Mundo 2026 no Brasil

A Copa do Mundo de 2026, sediada em conjunto por Estados Unidos, México e Canadá, movimenta uma estimativa de R$ 12 bilhões na economia brasileira, segundo o Seu Dinheiro: Copa 2026 movimenta R$ 12 bilhões no Brasil. Para pequenas empresas, o evento representa uma janela de oportunidade comparable ao período de festas de fim de ano, mas concentrada em 30 dias. O impacto varia drasticamente por setor: há quem lucre 300% e há quem perca 40% de faturamento.
Para Marta Ribeiro, dona de um sports bar em Curitiba, a preparação começou em janeiro. "Fiz um investimento de R$ 18.000 em equipamentos, reformas e estoque. Em 2022, durante a Copa do Catar, meu faturamento triplicou. Se 2026 for parecido, o retorno vem em três semanas", projeta. Marta é parte de um movimento que se repete a cada quatro anos: empreendedores que se preparam para capturar a demanda gerada pelo maior evento esportivo do planeta.
Setores que mais lucram com a Copa do Mundo
Os dados históricos da Copa de 2022, analisados pela Fundação Getúlio Vargas, mostram que seis setores têm impacto direto e positivo:
- Bares e restaurantes: aumento médio de 180% no faturamento em dias de jogos do Brasil
- Comércio de bebidas: alta de 95% nas vendas de cerveja e 67% em refrigerantes
- Eletroeletrônicos: crescimento de 42% na venda de televisões de 50 polegadas ou mais
- Moda e vestuário: alta de 38% na venda de camisetas e produtos com cores da seleção
- Delivery e iFood: aumento de 55% nos pedidos durante os jogos
- Publicidade digital: crescimento de 28% no investimento em anúncios locais
Os dados do setor de bares e restaurantes durante Copas do Mundo anteriores são consistentes. Em 2022, durante a Copa do Catar, o faturamento médio dos bares brasileiros cresceu 167% nos dias de jogos do Brasil, segundo a Abrasel. Em 2014, durante a Copa no Brasil, o crescimento foi de 210%. "A projeção para 2026 é de 180% a 200%, considerando que a Copa é fora do país mas o consumo interno se mantém alto", projeta Marcelo Andrade, economista da FGV.
Marta já está sentindo o efeito. "Em maio, vendi 40% mais que em abril. As pessoas começam a comprar televisões novas, mesas, cadeiras. O movimento pré-Copa é real", conta. O CNN Brasil: setores esportivos crescem 180% em Copa confirma a tendência.
Setores que perdem dinheiro durante a Copa
A diferença entre os setores que lucram e os que perdem com a Copa está na natureza do consumo. Setores relacionados a socialização e celebração capturam a demanda gerada pelo evento. Setores que competem com o tempo gasto assistindo jogos perdem. "É uma lei simples: se seu produto combina com festa de futebol, você lucra. Se compete com o tempo de jogo, você perde", resume Marcelo Andrade, economista da FGV.
Nem todos saem ganhando. A mesma pesquisa da FGV identifica quatro setores que sofrem queda de faturamento durante a Copa:
Para Sandra, a adaptação do salão de beleza em Salvador incluiu uma parceria com um bar vizinho. "Fiz um combo: manicure antes do jogo e drink no bar depois. As clientes amaram. Em vez de perder faturamento, aumentei 15% em dias de jogos do Brasil. A chave foi parar de competir com a Copa e usar a Copa como aliada", explica. A criatividade na adaptação é o que separa quem perde de quem ganha durante o evento.
O comércio de shopping centers registra queda média de 22% em dias de jogos do Brasil, pois os consumidores preferem ficar em casa ou em bares. Serviços de beleza e estética caem 18%, com agendamentos cancelados durante os horários dos jogos. O setor de educação, especialmente cursinhos e escolas particulares, tem redução de 15% na frequência. E o comércio de móveis e decoração registra queda de 12%.
Para quem está nesses setores, a estratégia recomendada é adaptar o negócio. Sandra Oliveira, dona de um salão de beleza em Salvador, decidiu criar um "Dia da Copa" com promoções especiais em horários alternativos. "Em 2022, perdi 40% do faturamento em dois dias de jogo. Em 2026, vou abrir das 8h às 12h e das 17h às 20h, evitando os horários de jogos. Já avisei as clientes", planeja.
Como pequenas empresas podem se preparar para a Copa
Para Marina Souza, consultora de negócios em Belo Horizonte que atende 35 pequenas empresas, a preparação para a Copa precisa começar pelo menos 60 dias antes. "Quem deixa para a última hora perde a janela de estoque. Os fornecedores de bebidas e alimentos já começam a limitar prazos em junho", alerta. Marina recomenda um plano de ação em três frentes.
A primeira frente é estoque. "Para bares e restaurantes, o ideal é ter 2,5 vezes o estoque normal de cerveja e 1,8 vezes o de alimentos não perecíveis. Para o varejo, 1,5 vezes o estoque de produtos com temática esportiva." A segunda frente é equipe. "Contratar temporários com 30 dias de antecedência é fundamental. Na Copa de 2022, 60% dos meus clientes não conseguiram contratar a tempo e operaram com equipe reduzida."
A terceira frente é marketing. "Anúncios com referência à Copa têm CTR 45% maior que anúncios normais. Mas cuidado com o uso de marcas oficiais: a FIFA protege seus símbolos rigorosamente. Use verde e amarelo, não use o logotipo da Copa", orienta Marina.
As oportunidades além dos bares e restaurantes
Setores menos óbvios também podem se beneficiar. O mercado de turismo interno cresce 25% durante a Copa, pois brasileiros viajam para assistir jogos em grupo. O setor de decoração para festas tem alta de 40% nas vendas de bandeiras, mesas e itens temáticos. E o setor de tecnologia, especialmente apps de apostas esportivas e streaming, vê um pico de 180% em novos cadastros.
Para quem não está em nenhum dos setores beneficiados, Marina sugere uma abordagem criativa. "Uma floricultura pode criar arranjos com cores da seleção. Uma papelaria pode vender kits de organização para jogos em casa. Uma academia pode oferecer aulas temáticas. A criatividade é o limite", exemplifica.
O efeito psicológico da Copa no consumo brasileiro
O comportamento do consumidor durante a Copa do Mundo é um fenômeno estudado por economistas e psicólogos. Segundo uma pesquisa da FGV em 2025, durante os dias de jogos do Brasil, 73% dos consumidores alteram seus hábitos de compra. "As pessoas compram mais comida, mais bebida, mais produtos para a casa. É um efeito de celebração coletiva que se traduz em consumo", explica Marcelo Andrade, economista da FGV.
Para pequenas empresas, entender esse comportamento é crucial. "Quem sabe que 73% dos consumidores mudam hábitos pode se preparar. Uma loja de eletrodomésticos pode criar kits para festas, uma padaria pode vender salgados em formato para grupos, uma floricultura pode montar arranjos com tema verde e amarelo", sugere Marina Souza, a consultora de Belo Horizonte. A criatividade durante a Copa não é opcional: é a diferença entre capturar ou perder a demanda.
Marcelo alerta para outro dado: 28% dos consumidores gastam mais que o planejado durante a Copa. "O risco é que o consumo impulsivo gere dívidas. Para o empreendedor, isso significa que vender a prazo pode ser arriscado. Recomendo que PMEs priorizem vendas à vista ou com parcelamento curto de 2 a 3 vezes", orienta. A lição de 2022 foi dura: muitas empresas registraram alto faturamento durante a Copa, mas 15% dessas vendas a prazo viraram inadimplência nos meses seguintes.
Checklist de preparação para a Copa 2026
Faltam semanas para o início da Copa. Para pequenas empresas que querem aproveitar a onda:
- Rever o estoque e multiplicar por 2 a 2,5 vezes para produtos de alta demanda
- Contratar equipe temporária com pelo menos 30 dias de antecedência
- Planejar campanhas de marketing com 15 dias de antecedência, sem usar marcas oficiais
- Negociar prazos com fornecedores, pois entregas podem atrasar durante o evento
- Preparar um fundo de caixa extra de 20% sobre o faturamento normal para imprevistos
- Para setores prejudicados, ajustar horários de operação e criar promoções em janelas alternativas
Para Marta, o sports bar de Curitiba, a expectativa é clara. "Se minha projeção estiver certa, vou faturar em três semanas o equivalente a dois meses normais. A Copa é o momento do ano para quem trabalha com público e bebida. Depois disso, a pergunta que fica é: como aproveitar esse pico para construir uma clientela que volte nos meses seguintes?", conclui.
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