Ficou sem dinheiro pra pegar ônibus e hoje fatura R$ 100 milhões por ano com perfumes

Denise Lemos ficou sem dinheiro nem pra pegar ônibus. Hoje comanda empresa que vende 5,9 milhões de perfumes por ano e fatura mais de R$ 100 milhões.

Mai 5, 2026 - 10:49
Jun 20, 2026 - 13:22
 0  6
Ficou sem dinheiro pra pegar ônibus e hoje fatura R$ 100 milhões por ano com perfumes
Empreendedora brasileira Denise Lemos fundadora da Amakha Paris em loja de perfumes

Ficou sem dinheiro pra pegar ônibus e hoje fatura R$ 100 milhões por ano com perfumes

Imagina só. Você tá sem dinheiro nem pra pegar ônibus. O cartão de crédito tá estourado. A família tá dizendo pra voltar pro emprego. E você olha pro espelho e pensa: "eu vou fazer isso funcionar."

Essa era Denise Lemos. Hoje ela comanda a Amakha Paris, empresa que vende 5,9 milhões de perfumes por ano e fatura mais de R$ 100 milhões. Mas a história não começou com vitrine. Começou com aperto.

O começo: sem dinheiro, sem plano, sem opção

Denise não tinha formação em administração. Não tinha investidores. Não tinha network. Tinha uma ideia e vontade de não depender de ninguém. Começou fazendo perfumes em casa, com fórmulas que aprendeu pesquisando na internet.

Os primeiros clientes foram amigas. Depois vizinhas. Depois indicação. Cada venda era um passo pra frente. Cada mês era uma sobrevivência.

Ela já contou em entrevistas que nos primeiros meses ia a pé porque não tinha dinheiro pro ônibus. Levava os perfumes na bolsa e vendia porta a porta. Não era glamour. Era sobrevivência.

A virada: quando o produto fala por si

O que fez a diferença? O perfume era bom de verdade. Não era cópia barata de marca famosa. Era uma mistura que as clientes gostavam e voltavam pra comprar mais.

Denise percebeu algo que muita gente ignora: o cliente que volta é mais importante que o cliente novo. E ela tratou cada cliente como se fosse a única. Respondia WhatsApp pessoalmente. Pedia feedback. Ajustava fórmula.

Com o tempo, montou um portfólio de 600 produtos. Cada um pra um público diferente. Cada um com uma história. E a empresa cresceu de forma orgânica, sem dívida, sem pressa.

O que a história dela ensina

1. Começar pequeno não é pecado. Denise começou vendendo porta a porta. Hoje fatura R$ 100 milhões. O tamanho do começo não define o tamanho do resultado.

2. Produto bom se vende sozinho. Não precisa de agência cara no início. Precisa de um produto que funcione e cliente satisfeito que indica.

3. ouvir o cliente é vantagem competitiva. Enquanto as grandes marcas fazem pesquisa de mercado com milhares de reais, Denise ouvia suas clientes no WhatsApp. E ajustava.

4. Resiliência não é motivação  é sobrevivência. Denise não continuou porque era motivada. Continuou porque não tinha opção. E quando não tem opção, você faz funcionar.

E você?

Talvez você esteja lendo isso e pensando: "mas eu não tenho capital." Denise também não tinha. Talvez pense: "mas eu não sei nada de negócios." Denise também não sabia. Talvez pense: "mas e se eu errar?" Erra. Apreende. Tenta de novo.

A pesquisa GEM 2025 mostra que 33,7% dos novos empreendedores brasileiros têm mais de 45 anos. Gente que já viveu, já errou, já recomeçou. Gente como Denise.

A história começa assim: você decide que não vai mais depender de ninguém. E amanhã acorda cedo pra fazer acontecer.

Fontes: Revista PEGN/Globo (29/04/2026)  Denise Lemos, Amakha Paris; Monitor Global de Empreendedorismo (GEM 2025).

Contexto adicional que vale considerar

Olhando pra esse cenário com mais cuidado, três pontos complementam o que foi apresentado. O primeiro é sobre a escala: a maioria dos dados que vemos vêm de pesquisas com grandes amostras, mas a realidade do pequeno negócio específico pode variar muito. Vale puxar os números pro seu caso antes de tomar decisão. O segundo é sobre timing: muitas dessas tendências estão em fase inicial, então quem se move primeiro tem vantagem de aprendizado, mesmo que o retorno ainda não apareça. O terceiro é sobre downside: nem toda mudança traz benefício imediato, e tem custo de transação (tempo, dinheiro, atenção) que precisa entrar na conta.

Outro ponto que merece atenção é a velocidade de propagação. Em ciclos anteriores, tendências levavam 18 a 24 meses pra sair da vanguarda e chegar à maioria. No ciclo atual, com conectividade e mídia social, esse intervalo caiu pra 4 a 8 meses. Isso significa que o tempo de vantagem competitiva encolheu, e o custo de não acompanhar subiu. Não é argumento pra seguir todo modismo, mas é razão pra ter radar ligado e capacidade de resposta rápida.

Onde esse cenário pode surpreender

Existem alguns fatores que podem acelerar ou frear essa tendência nos próximos meses. Política regulatória, custo de capital, comportamento do consumidor e até eventos climáticos podem mudar o jogo. Pra quem tá olhando isso de fora, o caminho é diversificar fontes de informação e não apostar tudo numa única narrativa. Os dados de hoje são a melhor foto que temos, mas a realidade de seis meses pode ser diferente — e o profissional que se prepara pros dois cenários sai na frente.

Vale também considerar o efeito de segunda ordem. Quando uma tendência pega, ela não só cresce — ela muda o ambiente competitivo. Concorrentes entram, margens comprimem, fornecedores se repositionam, clientes reavaliam o que consideram padrão. O operador que entrou primeiro tem vantagem de escala, mas o que entra depois pode pular a fase experimental e copiar o que funcionou. Em várias categorias, vimos o pioneiro perder mercado pra seguidores mais capitalizados.

Como aplicar isso na prática

Translação pro dia a dia: comece pequeno, meça muito, escale o que funciona. Não tente implementar tudo de uma vez. Escolha uma ou duas alavancas das discutidas acima, defina métrica clara de sucesso (conversão, ticket médio, tempo economizado, geração de leads), e teste por 30 a 60 dias antes de decidir se vale escalar. O erro mais comum nesse tipo de jornada é abraçar demais e executar mal. Disciplina de execução vence ambição de portfólio, sempre.

Detalhamento prático: na primeira semana, foque em diagnóstico. Na segunda, defina a hipótese de teste. Na terceira e quarta, execute e meça. No fim do mês, decida com base em dado, não em feeling. Se o resultado for positivo, escale aos poucos. Se for negativo, pivote sem apego. Esse ciclo é o que separa profissional de amador, e o que transforma ideia em resultado.

Erros comuns que sabotam o resultado

Três armadilhas aparecem com frequência: tentar replicar exatamente o que funcionou em outro contexto sem adaptar pra realidade local; medir resultado só por vaidade (curtidas, views) em vez de métrica de negócio (vendas, retenção, margem); e abandonar cedo demais, antes de ter dado tempo pro algoritmo, pro time ou pro mercado responder. Solução: benchmark externo + métrica interna clara + paciência calibrada. Não é glamorous, mas funciona.

Um quarto erro, mais sutil, é o viés de confirmação. A gente tende a buscar informação que confirma o que já acredita, e descartar o que contraria. Pra mitigar: tenha uma pessoa de confiança que tope discordar, leia fontes de visões opostas, e separe decisão de avaliação. Quem decide não deveria ser o mesmo que avalia depois, pra reduzir conflito de interesse embutido.

Olhando pra frente

O cenário de 12 a 24 meses vai depender de variáveis macro que fogem do controle de qualquer operador individual — taxa de juros, câmbio, confiança do consumidor, regulamentação setorial. Mas dentro do perímetro que dá pra controlar, o investimento em conhecimento, relacionamento e processo é o que consistentemente entrega retorno. Não espere o cenário macro melhorar pra agir. Quem constrói capacidade em momento adverso colhe desproporcionalmente quando o vento vira.

Por fim, um lembrete: o cenário muda, mas os princípios duram. Foco no cliente, disciplina de caixa, execução consistente, transparência com time e parceiros, disposição pra aprender e ajustar — isso serve em qualquer ciclo econômico. O que muda é o peso relativo de cada um, mas o conjunto permanece. Use o que o momento pede, sem perder de vista o que o longo prazo exige.

Qual é a Sua Reação?

Curtir Curtir 0
Não Gostei Não Gostei 0
Amor Amor 0
Engraçado Engraçado 0
Bravo Bravo 0
Triste Triste 0
Uau Uau 0
Fernanda Costa Minha avó dizia que história boa é aquela que faz a pessoa rir, chorar e querer levantar da cadeira. Eu cresci ouvindo isso na mesa de família em Salvador, rodeada de tios que tinham histórias de superação pra contar toda refeição. Aos 35 anos, já profilei mais de 80 empreendedores pra contar as histórias deles do mesmo jeito. Imagina só, tá? Você tá lá no meio da história. Oxente, se eu não te fazer sentir, eu não fiz meu trabalho. Colunista de Histórias de Sucesso. Baiana, causadeira, e convicta de que toda história de negócio tem uma virada que parece filme.