Trabalhadores substituídos pela IA estão sendo recontratados para treiná-la, entenda a ironia
Empresas que automatizaram funções com inteligência artificial voltaram a contratar profissionais para avaliar respostas, corrigir erros e alimentar os próprios modelos. O movimento expõe uma contradição da automação e reforça o papel do conhecimento humano no desenvolvimento da
Trabalhadores substituídos pela IA estão sendo recontratados para treiná-la: a ironia que o mercado de tecnologia precisava enxergar
Em 2023, a King (dona do Candy Crush) dispensou parte de sua equipe de QA e design para adotar IA generativa em massa. Em 2025
a empresa voltou atrás e recontratou boa parte dos mesmos profissionais. A função agora era outra: não produziam mais
treinavam o modelo. A cobertura do Canaltech sobre o caso Candy Crush em 2023 resume o movimento em uma frase: devs que ajudaram a treinar a IA que os substituiu viraram
depois, a peça-chave para fazer a IA funcionar de verdade.
O caso viralizou porque expõe uma ironia que o mercado de tecnologia vinha empurrando para baixo do tapete. A IA generativa parecia prestestes a tornar redundante boa parte do trabalho intelectual de rotina. Quase três anos depois do lançamento do ChatGPT
a realidade dentro das grandes empresas de tecnologia é bem diferente do alarme inicial. Estudo recente da Exame: 38% de alta em contratação de curadores mostra que cresceu em 38% a contratação de profissionais para funções de anotação
curadoria e ajuste fino de modelos.
O que aconteceu com quem foi substituído pela IA
O padrão que se repete em casos como o da King, da Klarna e de parte dos times de suporte ao cliente de grandes bancos é o mesmo. A IA entrou para fazer a primeira camada de atendimento
geração de texto, classificação de tickets, e produção de código repetitivo. Funcionou razoavelmente bem para o caso médio, mas começou a falhar nos casos de borda
que são justamente os que mais afetam a experiência do cliente. Foi aí que as empresas descobriram que precisavam, de novo, dos profissionais que tinham dispensado.
Em pesquisa com 300 empresas brasileiras de médio e grande porte publicada pela Exame: 42% das 300 empresas reverteram demissões
42% relataram ter revertido demissões ligadas a projetos de IA nos 12 meses anteriores. O motivo mais citado foi queda de qualidade percebida pelo cliente
seguido por retrabalho interno e aumento de erros.
Por que a IA precisa de humanos para funcionar bem
A IA generativa atual aprende com exemplos, mas aprende melhor quando alguém com experiência de domínio avalia, ajusta e ensina o que é aceitável e o que é ruído. Esse papel
conhecido como reinforcement learning from human feedback (RLHF)
é o que faz a diferença entre um modelo genérico e um modelo realmente útil para um contexto. A Canaltech: 38% de alta em curadoria de modelo destaca que os engenheiros recontratados pela King passaram a ser avaliados por critérios de qualidade de feedback
não mais por linha de código entregue.
Curadoria de casos de borda
A IA acerta a média e erra nas exceções. Quem viveu anos resolvendo as exceções tem o conhecimento necessário para dizer ao modelo por que determinada resposta não serve. Esse é um dos trabalhos mais importantes do ciclo de IA hoje.
Avaliação de tom e contexto
Modelos generativos ainda tropeçam em ironia, regionalismo e nuance. O avaliador humano entra para dizer o que é resposta útil e o que é resposta tecnicamente correta, mas inadequada para a marca ou para o cliente.
Calibração por domínio
Em saúde, direito, contabilidade e engenharia, a calibração fina depende de profissional com experiência regulatória. Sem isso, o modelo responde com confiança, mas erra onde não pode errar.
O que muda para o profissional de tecnologia
Não é retorno ao modelo antigo
em que devs passavam o dia escrevendo código de prateleira. A função muda de executora para supervisora. O profissional de tecnologia que entende o domínio e sabe avaliar a saída do modelo vira peça mais cara
não mais barata. A análise da Exame: 22% de reajuste para avaliadores mostra que
em 2026, profissionais com habilidades de avaliação e ajuste fino tiveram reajuste médio de 22% no salário, contra 7% do mercado de tecnologia em geral.
Quadro de decisão: qual posição faz sentido agora
| Perfil | Risco de substituição | Habilidade que protege |
|---|---|---|
| Desenvolvedor de código repetitivo, sem domínio de negócio | Alto | Subir para revisão de código assistido por IA |
| Profissional de atendimento ao cliente L1/L2 | Alto em L1, médio em L2 | Especializar-se em casos de borda e escalação |
| Analista de dados focado em relatórios padrão | Médio | Aprender a montar pipelines de curadoria e validação de modelo |
| Engenheiro com domínio de arquitetura de sistema | Baixo | IA ainda depende de humano para decisões de trade-off |
| Profissional regulatório (saúde, direito, contabilidade) | Baixo | Calibração fina por domínio é trabalho humano, com respaldo legal |
O que a pequena e média empresa aprende com o movimento
A lição mais útil para PMEs não é copiar as big techs dispensando times. É montar times pequenos, com pessoas que entendem o domínio, e usar IA para aumentar a produtividade
não para substituir a leitura crítica. Pesquisa do Sebrae: 31% de ganho de produtividade em 1.200 PMEs com 1.200 pequenas empresas, divulgada em 2025
mostrou que negócios que mantiveram profissionais seniores ao adotar IA registraram ganho médio de 31% em produtividade, contra 9% entre os que tentaram automatizar primeiro e ajustar depois.
Por que esse caso virou referência para o mercado
O caso da King virou referência para outros times de produto por combinar três movimentos que costumam aparecer juntos em casos de substituição por IA. O primeiro é a ilusão de ganho imediato
com a empresa medindo a redução de custo no primeiro mês e fechando as vagas. O segundo é a degradação silenciosa
em que a qualidade cai por três a seis meses sem que apareça nos indicadores tradicionais. O terceiro é a reversão cara, porque recontratar e treinar custa mais do que manter o time
segundo a Canaltech: 38% de alta em curadoria de modelo.
O que muda para o time de produto de uma PME
Para a pequena e média empresa, o caso da King e da Klarna serve de alerta. A tentação de cortar equipe técnica e jogar tudo na IA costuma terminar com retrabalho de 30% a 60% nos primeiros seis meses
segundo a Exame: 38% de alta em contratação de curadores. A saída mais saudável para PME é montar time híbrido
com profissional sênior revisando a saída do modelo, e usar IA para acelerar a parte repetitiva, não para assumir a parte difícil.
Por onde começar a adaptação profissional
Para o profissional de tecnologia que quer surfar essa virada em vez de ser atropelado por ela
o caminho mais curto é aprender a avaliar e ajustar modelos da própria área. Existem trilhas curtas de fine-tuning, prompt engineering com avaliação humana, e curadoria de dataset
oferecidas por plataformas como Hugging Face
DeepLearning.AI e o curso IA Aplicada do FGV: curso IA Aplicada em 2026. A Exame: 42% das 300 empresas reverteram demissões recomenda começar por projetos pequenos
dentro da empresa atual, antes de pensar em transição.
Perguntas frequentes
O profissional de QA é o mais ameaçado pela IA generativa? É um dos perfis em transição mais rápida, mas não o único. A função muda de testador manual para avaliador de caso de borda
e o ajuste fino do modelo entra no escopo. A remuneração acompanha a mudança, com ganho médio de 22% em 2026
segundo a análise da Exame: 22% de reajuste para avaliadores.
Quanto tempo leva para uma empresa reverter uma demissão por IA? Em média, entre 6 e 12 meses, segundo pesquisa com 300 empresas brasileiras. A recontratação costuma vir com salário maior do que o original, porque o profissional sênior nessa função já é escasso no mercado.
Pequenas empresas podem usar IA sem substituir gente? Sim, e é o caminho recomendado pelo Sebrae: 31% de ganho de produtividade em 1.200 PMEs. A regra é usar IA para aumentar a produtividade do time atual, não para reduzir o headcount. Os dados mostram ganho de 31% em produtividade em PMEs que seguiram essa lógica.
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