Vale Inaugura Usina com IA em Minas Gerais e Aumenta Produtividade em 25%

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo. A unidade produzirá 11,2 milhões de toneladas de minério de ferro; iniciativa também ajuda a reduzir em 40% a descarbonização da siderurgia O post Vale Inaugura Usina com IA em Mi...

Jun 11, 2026 - 07:03
Jun 20, 2026 - 13:14
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Vale Inaugura Usina com IA em Minas Gerais e Aumenta Produtividade em 25%
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Vale Inaugura Usina com IA em Minas Gerais e Aumenta Produtividade em 25%

Resumo: A Vale inaugurou em Itabira (MG) sua primeira usina de alta tecnologia com uso de inteligência artificial, após modernizar a planta Conceição 2. O ganho de produtividade foi de 25% em menos de dois anos, e a produção saltou de 9 milhões para 11,2 milhões de toneladas de minério de ferro. A unidade vai virar referência para outras plantas da mineradora.

O que a Vale entregou em Conceição 2

A planta Conceição 2, em Itabira, no interior de Minas Gerais, foi modernizada dentro do programa "Usina Modelo" da Vale, que integra automação avançada, monitoramento centralizado, sensores e análises online do teor de minério, além de operação remota de equipamentos. O resultado foi um salto de 25% na produtividade em menos de dois anos de projeto piloto — período curto para a indústria de mineração, que costuma operar plantas por décadas com ganhos incrementais.

Em números, a produção habilitada pela nova configuração chegou a 11,2 milhões de toneladas de minério de ferro em 2026, contra 9 milhões em 2024. O pellet feed de redução direta — produto estratégico para descarbonização da siderurgia — cresceu 40%. O teor de ferro no rejeito caiu 26%. A água recirculada na usina chegou a 92% do total utilizado.

A operação roda hoje com mais de 400 variáveis de processo otimizadas por IA, mais de 100 câmeras instaladas e cerca de 7.300 instrumentos automatizados. A modernização também identificou e tratou 51 gargalos de produção. A integradora tecnológica do projeto é a ABB, multinacional suíço-sueca especializada em automação industrial e robótica.

Como a IA opera dentro da planta

O modelo da Vale em Conceição 2 não é um único algoritmo "mágico" tomando decisões. É um sistema em camadas. Sensores nas esteiras e nos britadores medem teor de minério, granulometria, umidade e temperatura em tempo real. Esses dados vão para uma plataforma central que ajusta a operação dos equipamentos — velocidade de correias, vazão de água, abertura de britadores — sem intervenção humana direta.

Os ajustes são feitos com base em modelos treinados com anos de histórico da própria planta, cruzados com dados de outras unidades da Vale. Quando uma combinação de variáveis indica risco de queda de produtividade ou aumento de rejeito, o sistema propõe (ou executa, dependendo do grau de automação) uma mudança de parâmetros. O operador humano continua no loop, mas em posição de supervisão, não de comando tático.

Esse desenho — IA em camadas, operadores supervisionando — é o padrão que vem sendo adotado em mineração, siderurgia e petroquímica desde 2020. O que a Vale fez em Conceição 2 foi aplicar a fórmula em escala industrial, com integração entre a operação, a engenharia de processos e a equipe de manutenção. Por isso o ganho veio em menos de dois anos.

Por que o pellet feed de redução direta importa

O pellet feed de redução direta é um insumo usado em fornos de redução direta, que produzem aço com emissão muito menor de CO2 do que os altos-fornos a coque. A siderurgia global está sob pressão para descarbonizar — pressionada por regulação europeia, por compromisso de compradores como montadoras e por investidores de bancos que cortam exposição a ativos fósseis.

Quando a Vale diz que aumentou em 40% a produção de pellet feed, está dizendo que está mais bem posicionada para vender minério de ferro "verde" — isto é, com menor pegada de carbono na cadeia do aço. Esse é um diferencial competitivo real, não narrativa. Vários contratos de longo prazo com siderúrgicas asiáticas e europeias já exigem percentual mínimo de produto de baixa emissão.

Para o mercado, isso traduz em prêmio de preço. Para a Vale, traduz em capacidade de renegociar contratos com margens melhores. Para a indústria, é um sinal de que a transição energética na siderurgia está criando uma nova segmentação dentro do minério de ferro — e que vale a pena ser produtor "limpo" antes que a regulação obrigue.

A fala de Carlos Medeiros e o que ela indica

Carlos Medeiros, vice-presidente de Operações da Vale, deu duas frases à Forbes Brasil que merecem leitura cuidadosa. A primeira: "A usina modelo é mais do que um projeto: representa uma nova forma de operar, baseada na aplicação de tecnologias avançadas que redefinem os padrões de eficiência, sustentabilidade e competitividade da mineração." A segunda: "O programa Usina Modelo integra tecnologias e uma governança robusta de processos, criando um ambiente mais seguro, previsível e eficiente, com pessoas altamente capacitadas."

Dois pontos se destacam. O primeiro é a expressão "governança robusta de processos" — em linguagem corporativa, significa que a IA está supervisionada por uma estrutura formal, com responsabilidades definidas, com aprovação de mudanças e com rastreabilidade. Isso reduz risco regulatório e responde a parte das críticas de que automação industrial é "caixa-preta".

O segundo é "pessoas altamente capacitadas" — a Vale está reconhecendo que automação não substitui o operador, mas exige um operador diferente. Mais preparado em análise de dados, interpretação de dashboards e tomada de decisão em cenários anômalos. É uma pista de tendência para quem está escolhendo formação técnica hoje: vale a pena olhar para cursos que combinam operação industrial com ciência de dados.

Como a Itabira entra no jogo nacional

Itabira é uma das cidades históricas da mineração brasileira. Sediou a empresa que deu origem à Vale e convive há décadas com os impactos positivos e negativos da atividade. A escolha de Conceição 2 como piloto da Usina Modelo não foi acidental: é uma planta com ativos maduros, equipe técnica experiente e localização estratégica no quadrilátero ferrífero.

A modernização também traz efeitos para a cidade. Aumento de produção em uma planta existente significa, em geral, mais empregos indiretos (manutenção especializada, fornecedores de sensores, empresas de calibração) e pressão sobre serviços locais (moradia, transporte, saúde). Itabira vai sentir parte desses efeitos nos próximos anos — vale acompanhar os dados da prefeitura e do IBGE para dimensionar.

Para outras mineradoras que operam no Brasil — incluindo empresas de menor porte em cobre, lítio e bauxita —, o caso Conceição 2 vira referência. A integração entre ABB, plataforma de IA da Vale e operação local pode ser replicada em outros sítios, com ajustes. Quem tem equipe técnica capaz de operar esse tipo de sistema vai ter vantagem competitiva real nos próximos cinco anos.

O que observar a partir daqui

Três indicadores vão mostrar se o modelo se sustenta. O primeiro é a replicação: a Vale já disse que outras unidades vão seguir o padrão Conceição 2. Acompanhar o ritmo de modernização das próximas plantas vai dizer se o ganho de 25% é exceção ou tendência.

O segundo é o retorno sobre o investimento. Os valores exatos não foram divulgados, mas a Forbes Brasil menciona que a Vale trata a Usina Modelo como projeto estratégico, com aporte de capital relevante. Se o ROI for comprovado nos próximos dois a três anos, vai acelerar o investimento em outras unidades.

O terceiro é a agenda ESG. Os dados de redução de rejeito (-26%), recirculação de água (92%) e aumento de pellet feed de redução direta (+40%) são números que a Vale vai poder usar em relatórios de sustentabilidade, em conversas com investidores e em processos de licenciamento. Em um cenário global de maior exigência ambiental, esse tipo de métrica deixa de ser cosmético e vira diferencial competitivo.

Para o ecossistema de inovação brasileiro, o caso Conceição 2 mostra que IA industrial não é mais prova de conceito — é projeto em produção, com resultados mensuráveis. E que vale a pena prestar atenção em empresas como a ABB e em startups que constroem a camada de software por cima desses sistemas. A demanda por profissionais qualificados nessa interseção está crescendo.


Fonte original: Vale Inaugura Usina com IA em Minas Gerais e Aumenta Produtividade em 25%, publicado por Forbes Brasil (via Reuters) em 10/06/2026. Conteúdo adaptado por redação.

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Fernanda Costa Minha avó dizia que história boa é aquela que faz a pessoa rir, chorar e querer levantar da cadeira. Eu cresci ouvindo isso na mesa de família em Salvador, rodeada de tios que tinham histórias de superação pra contar toda refeição. Aos 35 anos, já profilei mais de 80 empreendedores pra contar as histórias deles do mesmo jeito. Imagina só, tá? Você tá lá no meio da história. Oxente, se eu não te fazer sentir, eu não fiz meu trabalho. Colunista de Histórias de Sucesso. Baiana, causadeira, e convicta de que toda história de negócio tem uma virada que parece filme.