Do carrinho de R$ 3 mil aos R$ 26 milhões: a história que parecia impossível

Mauricio e Andressa começaram com um carrinho de pipoca nas ruas do Rio. Hoje são 43 lojas e faturamento de R$ 26 milhões. A história completa de quem acreditou quando ninguém mais acreditava.

Abr 29, 2026 - 18:15
Mai 5, 2026 - 11:08
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Do carrinho de R$ 3 mil aos R$ 26 milhões: a história que parecia impossível
Empreendedor brasileiro comendo carrinho de pipoca que virou império de R$ 26 milhões

Imagina só, tá? Você lá na rodoviária do bairro, com um carrinho de pipoca que ninguém compra. Dia após dia. O sol batendo forte no Rio de Janeiro, o cheiro de milho queimado misturado com a frustração de ver as pessoas passarem direto. É 2018. Você deixou o emprego de salário mínimo num escritório de contabilidade, usou a rescisão pra montar o negócio. E no primeiro dia? Quase nenhuma venda.

A história começa assim: Mauricio Matheus e Andressa Martins, um casal que resolveu apostar em pipoca gourmet quando todo mundo dizia que pipoca de rua não dava dinheiro. Eles conheceram a história de uma empresária que tinha crescido com pipocas gourmet e acharam que podiam fazer diferente. Investiram R$ 60 num curso. Passaram oito meses testando receitas, criando a marca, sonhando acordado.

Quando finalmente colocaram o carrinho nas ruas, em agosto de 2018, o resultado foi... nada. O cheiro de pipoca estava lá, o milho mushroom que explode redondo estava lá, as embalagens bonitas também. Mas as pessoas não queriam pagar R$ 7 numa pipoca quando do lado vendia por 3.

Né? O coração aperta só de lembrar.

A virada veio quando eles decidiram que não eram mais ambulantes

Quatro meses depois do primeiro dia frustrante, o casal conseguiu um ponto melhor: a rodoviária do bairro. O faturamento subiu pra R$ 200 por dia. Dava pra pagar as contas? Dava. Dava pra viver bem? Não. Mas dava pra respirar e pensar no próximo passo.

Eles notavam algo estranho: o diferencial deles, os insumos premium, o milho específico, a embalagem diferenciada, o uniforme impecável — tudo isso que fazia o produto valer mais caro também fazia as pessoas desconfiarem. No meio de vários ambulantes, eles estavam organizados, com barraquinha arrumada, embalagem bonita. Mas na rua, as pessoas viam apenas como pipoca. E não queriam pagar R$ 7.

A virada veio quando decidiram buscar um público que valorizasse o que tinham construído. Em outubro de 2019, abriram a primeira loja em shopping center do Rio de Janeiro. Investiram R$ 30 mil, obtidos com empréstimos. Era arriscado? Era. Mas o faturamento saltou de R$ 4,5 mil na rua para R$ 35 mil no primeiro mês de loja.

Oxente, é pra emocionar, né?

A pandemia que poderia ter sido o fim

2020. O mundo parou. Eles deixaram o shopping e foram pra casa dos pais de Mauricio. Adaptaram uma cozinha no quintal e apostaram em delivery. Criaram novos sabores: avelã, churros, leite em pó. Desenvolveram uma linha salgada que hoje representa 60% do faturamento de cada unidade.

No meio do caos, fizeram algo essencial: reposicionamento. Entenderam que não eram mais pipoca gourmet. O produto deles tem preparo diferenciado, mas o consumo médio chega a 180 gramas por pessoa — muito mais que o gourmet tradicional, que parece bombom e rende pouco. Viraram a Baurucas, uma categoria própria.

Com a retomada, abriram nova unidade em shopping e atingiram R$ 80 mil de faturamento mensal só naquele ponto. A fábrica cresceu. Hoje são 400 metros quadrados de produção, 10 toneladas mensais de pipoca, capacidade para atender 120 lojas.

Os números que pareciam impossíveis

Em 2025, a Baurucas faturou R$ 26 milhões. São 43 lojas em operação, 54 comercializadas no total. O ticket médio é de R$ 25. O investimento inicial de uma franquia é de R$ 144 mil, com payback entre 14 e 24 meses.

A projeção para 2026? R$ 45 milhões de faturamento. E mais 24 franquias vendidas. A expansão vai além do Rio de Janeiro: São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais.

Tudo começou com R$ 3 mil da rescisão de um emprego de salário mínimo. Com um carrinho que ninguém comprava. Com um casal que decidiu que pipoca podia ser diferente.

O que essa história ensina

Primeiro: O diferencial que te separa da concorrência pode ser o mesmo que afasta clientes no começo. Mauricio e Andressa tiveram que encontrar o público certo pra valorizar o que ofereciam. Não era problema do preço. Era problema do lugar.

Segundo: A virada não veio quando tudo deu certo. Veio quando eles decidiram que não eram ambulantes, eram empreendedores. Mudaram de categoria mentalmente antes de mudar de endereço fisicamente.

Terceiro: A pandemia podia ter sido o fim. Virou laboratório. Eles adaptaram, criaram, reposicionaram. Quem sobrevive é quem transforma obstáculo em oportunidade.

A história da Baurucas não é sobre pipoca. É sobre visse o que acontece quando você acredita no seu produto mesmo quando ninguém mais acredita. É sobre o cheiro de milho misturado com coragem. É sobre um casal que decidiu que R$ 3 mil era o suficiente pra começar — e provou que era.

Imagina só, tá? O carrinho deles ainda existe em algum lugar. Só que agora é história. E história boa é aquela que faz você rir, chorar e querer levantar da cadeira pra fazer acontecer.

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Fernanda Costa Minha avó dizia que história boa é aquela que faz a pessoa rir, chorar e querer levantar da cadeira. Eu cresci ouvindo isso na mesa de família em Salvador, rodeada de tios que tinham histórias de superação pra contar toda refeição. Aos 35 anos, já profilei mais de 80 empreendedores pra contar as histórias deles do mesmo jeito. Imagina só, tá? Você tá lá no meio da história. Oxente, se eu não te fazer sentir, eu não fiz meu trabalho. Colunista de Histórias de Sucesso. Baiana, causadeira, e convicta de que toda história de negócio tem uma virada que parece filme.