Rafa Alves volta à Droga5 depois de nove Leões e recoloca a liderança criativa no centro da agência

O executivo assume a vaga deixada por Rafael Ziggy e traz bagagem em análise de dados para integrar decisões criativas à gestão de negócios da operação.

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Rafa Alves volta à Droga5 depois de nove Leões e recoloca a liderança criativa no centro da agência
Cena de trabalho relacionada a Histórias de Sucesso

Rafa Alves retorna à Droga5 em outubro para assumir o cargo de chief creative officer depois de uma passagem pela LePub São Paulo. A escolha reúne três movimentos documentados no mercado publicitário: a agência reorganizou sua liderança, o profissional chega após participar de uma campanha premiada para a Heineken e a função passa a dividir espaço com uma direção de design que já estava na operação. O caso interessa a empresas de qualquer tamanho porque mostra que uma contratação de liderança criativa não é só uma troca de nome. Ela altera quem decide, como o trabalho é avaliado e quais competências entram na mesa.

A informação foi publicada pelo Propmark, que registra a volta de Alves à operação a partir de outubro. Antes da Droga5, a trajetória citada pela publicação passou por Soko, DM9DDB e LePub. Na Soko, ele avançou por funções criativas e de dados até chegar à direção de criação. A passagem pela Miami Ad School também aparece no histórico divulgado. A leitura possível, sem preencher lacunas, é que a contratação combina repertório criativo, experiência de gestão e contato com métricas. O currículo documentado não autoriza concluir como será a próxima campanha, mas explica por que a posição exige mais que habilidade para apresentar ideias.

A volta acontece depois de uma mudança na estrutura

Rafael Ziggy ocupava o cargo de CCO desde 2023 e deixou a operação em agosto, segundo o Propmark. Felipe Simi assumiu temporariamente a função junto com o posto de CEO. Com a chegada de Alves, Simi permanece como creative chairperson e co-CEO, enquanto Diego Limberti continua como chief design officer. A estrutura passa a ter responsabilidades diferentes para criação, design e direção executiva. Esse desenho evita tratar “liderança criativa” como uma cadeira isolada, embora a divisão só funcione se cada fronteira for compreendida pelas equipes.

Para uma agência ou departamento de marketing, a consequência prática está na governança. Quem aprova o conceito? Quem responde pela qualidade visual? Quem decide a alocação de pessoas? Quem conversa com o cliente quando o resultado não aparece? A notícia não informa as respostas operacionais da Droga5, e não cabe inventá-las. Ela permite observar que cargos distintos foram explicitados. Em negócios menores, registrar essas decisões em uma página de responsabilidades já reduz disputas que costumam ser confundidas com conflito de personalidade.

Nove Leões transformaram uma campanha em evidência de execução

Na LePub, Alves trabalhou principalmente para a Heineken e participou da campanha “Could Have Been a Heineken”, criada pelos escritórios de São Paulo e Milão. O trabalho terminou Cannes Lions 2026 com nove Leões, incluindo um Grand Prix em Social & Creator, conforme o histórico publicado pelo Propmark. Prêmios não medem sozinhos retorno de vendas, margem ou crescimento de uma marca. Eles são, neste caso, uma evidência pública do reconhecimento criativo de um trabalho específico, não uma promessa sobre o desempenho futuro do executivo.

A distinção é importante para quem contrata. Um portfólio com prêmio prova que uma equipe conseguiu resolver determinado problema dentro de determinado briefing. Não prova que a mesma solução serve para uma empresa diferente. O processo de seleção precisa perguntar qual era o objetivo, que restrições existiam, quais decisões foram tomadas e qual resultado foi medido. A pergunta separa autoria de enfeite. Também ajuda a verificar se o candidato liderou a decisão ou apenas participou de uma estrutura maior.

Mulher em pé aponta para fotos sobre a mesa enquanto três colegas observam no escritório.

O resultado premiado não elimina a necessidade de medir negócio

O próprio caso mostra duas camadas de avaliação. A primeira é pública e verificável: nove Leões e um Grand Prix. A segunda depende do objetivo da marca e pode incluir lembrança, consideração, vendas, uso de produto ou qualidade da conversa com consumidores. Nenhuma dessas métricas aparece no material consultado.

O método de contratação pode seguir a mesma lógica. Primeiro, a empresa registra o problema que a liderança precisa resolver. Depois, escolhe dois ou três trabalhos anteriores que tenham problema comparável. Por fim, pede uma explicação sobre decisão, equipe, prazo e indicador. Um bom processo não procura o currículo mais brilhante em abstrato. Procura evidência de que a pessoa já trabalhou com a tensão que existe dentro da vaga.

Experiência em dados muda a conversa sobre criação

A passagem de Alves pela Soko é descrita como uma progressão por funções criativas e de dados. Esse detalhe é relevante porque a atividade de agência exige interpretação de audiência, distribuição e resposta. Dados não substituem ideia, assim como ideia não substitui medição. A aproximação entre as duas áreas muda o briefing: uma campanha começa com uma pergunta de negócio e termina com um critério para avaliar o que foi produzido.

Para uma pequena empresa, isso não exige contratar uma grande estrutura. Significa informar ao profissional o número que a comunicação pretende movimentar. Pode ser o percentual de pessoas que chegam ao orçamento, o custo de uma venda, a taxa de recompra ou a ocupação de um serviço. O indicador escolhido precisa ser compatível com o prazo. Uma campanha de reconhecimento não deve ser julgada apenas no dia seguinte por vendas, e uma ação de venda não pode ser considerada boa só porque gerou visualizações.

A conta simples evita confundir prêmio com retorno

Os nove Leões permitem uma conta de leitura, não uma conta financeira. O reconhecimento foi distribuído em nove premiações para um trabalho criado entre São Paulo e Milão. Se uma equipe registra nove distinções, há pelo menos nove oportunidades de observar quais partes da ideia foram valorizadas. Essa divisão não diz que cada Leão vale a mesma coisa, nem calcula retorno. Ela serve para transformar um feito amplo em perguntas menores: quais foram as categorias, qual execução sustentou cada uma e qual parte pode ser repetida?

Em um processo interno, a conta mais útil é outra. Se uma equipe tem quatro profissionais e uma campanha exige três entregas decisivas, cada entrega precisa ter responsável e critério de aprovação. Sem essa divisão, o elogio ao trabalho fica concentrado no diretor e o aprendizado não chega à equipe. O prêmio vira vitrine, mas não vira método.

O próximo capítulo depende da clareza de papéis

O retorno de Rafa Alves coloca a Droga5 diante de um arranjo com CCO, creative chairperson, co-CEO e chief design officer. O material publicado não descreve metas ou projetos futuros. O que está documentado é a mudança de liderança e o histórico profissional que a antecede. Para o leitor empreendedor, o ensinamento é mais modesto e mais útil: uma contratação de alto nível precisa vir acompanhada de um desenho de decisão que permita saber quem escolhe, quem executa e quem responde pelo indicador.

Na prática, o gestor pode escrever uma página com quatro campos para cada função: decisão que cabe ao cargo, dado que será acompanhado, pessoas que precisam participar e prazo da primeira revisão. Esse registro não transforma criatividade em planilha. Ele protege o trabalho criativo de pedidos contraditórios e dá ao negócio um modo de aprender com o que foi feito.

O que uma pequena agência pode copiar deste movimento

Uma contratação não precisa começar pelo cargo mais alto. O primeiro passo é identificar a decisão que está travando o trabalho. Em alguns times, o problema é a falta de uma pessoa que transforme briefing em conceito. Em outros, é a ausência de alguém que conecte criação e resultado. O cargo deve responder à lacuna, não ao desejo de reproduzir a estrutura de uma agência famosa.

Também vale preservar a origem de cada evidência. O prêmio vem da organização do festival, o histórico vem da notícia sobre a carreira e o efeito comercial precisa vir da empresa ou de uma medição publicada. Misturar as três coisas produz uma conclusão mais forte que os fatos permitem. Separá-las deixa a análise mais útil para quem toma uma decisão de contratação.

O retorno de Rafa Alves é uma notícia sobre liderança criativa, não uma garantia de campanha vencedora. O valor do caso está em mostrar como uma função pode ser preenchida por alguém com experiência em criação e dados, dentro de uma estrutura que distribui responsabilidades. É essa parte que pode ser aplicada sem copiar o contexto da Droga5.

Uma etapa adicional é pedir ao candidato que descreva um trabalho que não venceu. A resposta mostra como ele lida com limite, revisão e decisão do cliente. O objetivo não é punir o erro. É descobrir se a liderança consegue transformar uma tentativa em aprendizado sem atribuir todo resultado ao talento individual.

Fontes consultadas

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